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jogo de memória

Usando ferramentas tecnológicas e mapas conceituais na sala de aula

Brincadeira? Ferramenta pedagógica? Ou ambos?

Ao longo dos últimos dias publiquei alguns “jogos de memória” aqui no Blog.

Em cada um deles o nível de dificuldade era um pouco diferente, exigindo do jogador lembrar-se de duplas de cartas com as seguintes características:

  • Nível I – 2 cartas iguais, com imagem do animal em que ele é facilmente reconhecido;
  • Nível II – 1 carta com imagem do animal em que ele é facilmente reconhecido e 1 carta com o nome do animal;
  • Nível III – 1 carta com imagem de uma parte do animal e 1 carta com o nome da estrutura representada e nome do animal;
  • Nível IV – 1 carta com imagem de parte do animal e 1 carta com informações sobre o animal, mas sem seu nome.

Tais jogos podem ser utilizados apenas como brincadeira, para testar os conhecimentos sobre o reino animal e a capacidade de memorizar as posições das cartas. Porém, também podem ser utilizados como parte de uma sequência didática dinâmica, com momentos lúdicos e momentos mais formais, com atividades individuais e com atividades em grupo nas quais ocorre intensa argumentação e negociação de significados entre os estudantes.

Aprofundando tal reflexão, decidi elaborar um exemplo de sequência didática na qual um jogo de memória aparentemente simples assume papel fundamental. Criei esse jogo com 18 pares de cartas e a estrutura baseada em um Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Segue abaixo uma síntese de tal sequência didática:

  • Etapa 1 – Os alunos recebem como lição de casa preparatória (Flipped Classroom) a tarefa de ler textos (notícias/reportagens) sobre a situação climática atual do planeta. A leitura deve ser feita de forma crítica, analítica, identificando o meio em que o texto foi publicado, autor, público-alvo, ideias centrais, fatos, opiniões, causas e consequências. Tais informações devem ser registradas no caderno. Os links para os textos estão publicados no Ambiente Virtual de Aprendizagem.
  • Etapa 2 – Em classe, utilizando quaisquer meios de acesso à internet (smartphones, tablets, chromebooks ou notebooks), os alunos são estimulados a jogar (individualmente) um jogo de memória criado especialmente para a atividade, com conceitos importantes para a compreensão do tema estudado. O jogo tem 18 conceitos selecionados pelo professor. Cada conceito é apresentado por meio de uma carta com imagem e outra carta com um breve texto. Cada vez que o aluno inicia o jogo são carregados 8 pares de cartas aleatoriamente. Assim, é bastante difícil que um mesmo aluno tenha acesso a todos os 18 conceitos, a não ser que jogue muitas vezes. Em cada pareamento correto deve-se registrar a imagem do conceito (ou nome) e sua definição. (O jogo pode ser experimentado no final desse texto).
  • Etapa 3 – Após a etapa individual, formam-se trios de alunos que irão compartilhar suas descobertas (conceitos identificados no jogo) e argumentar a respeito de cada conceito, retomando também as informações da leitura prévia realizada como lição de casa (Flipped classroom). O resultado da etapa de argumentação deve ser apresentado na forma de um mapa conceitual em que são estabelecidas possíveis relações entre cada conceito. O mapa conceitual pode ser elaborado no caderno de cada estudante ou em alguma ferramenta como o software CmapTools (Nesse caso ele pode ser impresso e colado no caderno posteriormente). 
  • Etapa 4 – Após cada trio ter elaborado seu próprio mapa conceitual, o professor media a construção de um mapa conceitual colaborativo da classe, construído com a participação do maior número possível de trios, ou de alunos. Durante essa etapa ocorre intensa argumentação entre os alunos, cada qual defendendo a relação que estabeleceu e contribuindo para a construção do conhecimento coletivo. Esse mapa conceitual representa a síntese das descobertas, aprendizagens ou opiniões da classe. O mapa conceitual final pode ser feito na lousa, com participação direta dos alunos, ou em algum software no computador utilizado no projetor da classe. Tanto um como outro podem ser também disponibilizados aos alunos no ambiente virtual de aprendizagem utilizado na escola.
  • Etapa 5 – Logo em seguida, pode-se aplicar uma quiz para verificar os resultados da sequência didática, seja como avaliação formativa, ou como avaliação somativa.

Costumo aplicar esse tipo de sequência didática frequentemente, com a participação dos alunos em diversos momentos, interagindo uns com os outros e utilizando as mais diversas ferramentas tecnológicas, muitas gratuitas, como ferramentas de produtividade pessoal. 

Acredito que sequências didáticas com tais características podem contribuir para tornar a aprendizagem mais dinâmica e significativa, mesclando diversas situações de aprendizagem com objetivos diferentes e complementares. 

Ao final do processo certamente houve a aquisição de novos conceitos e o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para lidar com os desafios da sociedade moderna. Essas são algumas características das chamadas Metodologias Ativas.

Não afirmo que seja simples, fácil e rápido preparar o material necessário. Porém, acredito que realmente vale a pena!

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo)

Importante No exemplo a seguir os textos dentro das cartas estão muito pequenos! Vou substituí-los. Até lá, ficam como exemplo do que é possível fazer com esse tipo de ferramenta.

Jogo de memória – Mudanças climáticas

Gostou? Quer outros desafios?

Semanalmente serão publicados novos jogos digitais com imagens de elementos da natureza. Clique aqui para ver os outros já publicados!

O que é Ensino Hibrido

Ensino Híbrido – O que é?

Ensino Híbrido

Ao longo dos últimos meses tem se falado muito de Ensino Híbrido. O que é isso?

Buscando nos dicionários o significado de “híbrido”, é possível encontrar definições próximas de:

  • Originário da mistura de diferentes…
  • Resultado do cruzamento de diferentes…
  • Aquele que apresenta características de diferentes…

Por outro lado, ao buscar o significado de “ensino”, encontramos algo como:

  • Forma sistemática de transmissão de conhecimentos.
  • Ação e efeito de ensinar.
  • Conjunto de estratégias e ações realizadas com o objetivo de ensinar.

O que podemos inferir é que o Ensino Híbrido apresenta características de diferentes estratégias, ou modelos, de ensino:

  1. A tradicional, presencial, que ocorre tipicamente em sala de aula;
  2. A online, virtual, que ocorre mediada por recursos tecnológicos diversos de modo que professor e aluno podem estar em locais, e/ou momentos, diferentes durante o processo de ensino/aprendizagem.

Ensino Hibrido 01É possível afirmar que o Ensino Híbrido busca o que há de melhor, ou mais adequado para um certo contexto educativo, das duas estratégias.

Uma vez que temos dois extremos, híbrido é aquilo que está entre eles. Sendo assim, há uma gradação possível de estratégias na qual em certo momento estamos mais próximos do ensino presencial e em outros momentos estamos mais próximos do ensino totalmente virtual (Exemplo: Cursos na Udemy). A estratégia, ou modelo de aula, escolhida pode variar de acordo com o material disponível, com os espaços de trabalho disponíveis ou com as características do grupo de alunos.

Segundo pesquisadores americanos, o importante para se caracterizar como ensino híbrido é que ocorram momentos de trabalho presencial, na escola, e momentos de trabalho virtual mediado por algum elemento de controle do processo do aluno (Sistema de Gestão de Aprendizagem – LMS).

Porém, ao estudar a viabilidade de aplicação  da metodologia em nossas escolas, pesquisadores brasileiros perceberam que nosso contexto pode apresentar dificuldade de acesso à web e recursos mais sofisticados. Esse fator não poderia ser obstáculo à inovação e busca por melhorias na educação. Assim, focaram na busca por estratégias e uso de recursos de forma inovadora, mesmo que sem acesso ao virtual. (Ver Lilian Bacich em http://info.geekie.com.br/ensino-hibrido-tecnologia/ ).

Ensino Híbrido 02Características do Ensino Híbrido

A diversidade de situações possíveis torna o curso mais dinâmico, interessante, envolvente e participativo. Há momentos individuais e em grupo. Há momentos presenciais e online. Ocorrem rotações entre as atividades, na mesma sala ou entre diferentes espaços. Em certos momentos os alunos escolhem suas atividades. Estuda-se mais em casa e trabalha-se mais em classe. Há mais momentos de ação, de argumentação, de produção!

O estudante deve ser o protagonista no processo e aprender dinamicamente, enfrentando desafios, refletindo sobre estratégias de atuação possíveis, interagindo com seus pares, coletando e analisando dados, interpretando, argumentando, produzindo e compartilhando conteúdos em formatos variados, aprendendo conceitos e desenvolvendo habilidades e competências!

Importância do LMS

Como professor do Ensino Fundamental II, mais precisamente do 6º ano, utilizo diversas estratégias e ferramentas com o objetivo de potencializar a participação do aluno e seu envolvimento no processo de ensino aprendizagem. Em cada momento do curso trabalhamos com recursos que nos permitem realizar tarefas de forma mais eficiente e com melhor qualidade. A tecnologia é uma ferramenta de trabalho e não um fim.

Tal processo é mediado com o auxílio de um LMS (Learning Management System ou Sistema de Gestão de Aprendizagem) que organiza o percurso de aprendizagem. Atualmente utilizo o Canvas LMS, um fantástico ambiente virtual de aprendizagem que possibilita ao professor:

  • Publicar os documentos essenciais de seu curso;
  • Publicar materiais didáticos multimídia – videoaulas, textos de apoio, links externos;
  • Publicar instruções detalhadas para atividades, de forma estruturada e amigável;
  • Realizar avaliações formativas e/ou somativas;
  • Acompanhar o percurso de aprendizagem de cada aluno, identificando mais facilmente seus passos, suas dificuldades e realizações;
  • Interagir com os alunos para solucionar eventuais dúvidas;
  • Oferecer aos alunos diferentes materiais, atividades e caminhos de aprendizagem possíveis de acordo com seu progresso, suas dificuldades ou perfis de aprendizagem;
  • Planejar e organizar seu curso, suas aulas, suas atividades utilizando diversas ferramentas de forma integrada.

Certamente há benefícios para professor e aluno!

A escola no bolso de todos nós

O smartphone que todos carregam no bolso é uma caixa de ferramentas, um verdadeiro canivete suíço, capaz de realizar muitas tarefas, das mais simples às mais complexas. É possível produzir, editar e compartilhar conteúdo com o mundo em questão de minutos!

Não há mais as barreiras espaciais e temporais de uma aula. O aluno pode acessar o material de seu curso a partir de qualquer local com internet disponível. Ele pode fazer isso em qualquer hora do dia!  A sala de aula está dentro do smartphone. O mundo está dentro do smartphone!

O smartphone é o instrumento mais versátil para os usuários do Ensino Híbrido!

Importância do Ensino Híbrido

As aprendizagens resultantes (Ideias, habilidades e competências) de um curso que utiliza tal conjunto de recursos tecnológicos tornam-se realmente aplicáveis na vida real, principalmente no momento em que a evolução científica/tecnológica transforma nosso cotidiano cada vez mais intensamente e rapidamente.

O mundo mudou. O mundo está mudando. O mundo continuará mudando!

Neste contexto o Ensino Híbrido torna-se essencial, pois habilidades e competências ligadas ao uso de recursos tecnológicos como ferramenta de produtividade pessoal não são mais um luxo ou modismo. São pré-requisitos para todas as carreiras!

O Professor Híbrido

E o professor? Ele é um personagem essencial no planejamento, organização e realização de situações de aprendizagem adequadas ao novo contexto!

É ele quem escolhe abordagens, estratégias e ferramentas, prepara ou seleciona materiais de apoio, elabora sequências didáticas e atividades, conduz o processo presencial e/ou virtualmente, avalia o percurso e a aprendizagem do aluno.

Ele precisa ter tempo e condições para dar conta de todas as tarefas que suportam um curso híbrido!

O professor precisa estudar e se aprimorar continuamente, buscando conhecer novas ferramentas (hardware e software) e estratégias didáticas. Esta é uma tarefa árdua, pois o cotidiano do educador é naturalmente intenso.

Pessoalmente, uma vez que nem sempre cursos presenciais ocorrem em momentos favoráveis do calendário, busco ler muito e fazer cursos online. Também procuro acompanhar blogs e grupos de discussão relacionados ao tema.

Finalizando

Recomendo que você leia também o artigo sobre Flipped Classroom. Nele é apresentada uma sequência didática bastante simples, mas que leva em consideração algumas das ideias aqui apresentadas.

Outro artigo recomendado é “O que é Sequência Didática“, no qual são apresentados os princípios da elaboração de sequências didáticas e atividades como aquelas mencionadas aqui.

Por fim, caso você deseje aprender os princípios da produção de videoaulas e edição de vídeos com finalidades didáticas, sugiro que se inscreva no curso “Como criar videoaulas e editar vídeos” elaborado por mim na plataforma de cursos Udemy. Ele é um exemplo de curso totalmente virtual, praticamente sem interação com o instrutor.  O aluno segue seu próprio caminho, com videoaulas e instruções detalhadas, além de exercícios de aplicação do aprendizado criando suas videoaulas.

Pense a respeito.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

DICAS DE LIVROS SOBRE ENSINO HÍBRIDO