O que aprendi em um curso de coaching

O que aprendi em um curso de coaching

Há um bom tempo tenho curiosidade sobre o que é Coaching!

Terapia? Consultoria? Bate-papo?

Eu realmente não sabia o que era e tinha algum “pé atrás”.

Alguns amigos já haviam me dito que eu deveria fazer um curso, pois:

a)    Me ajudaria a lidar melhor com os desafios da vida.

b)    Pareço um Coach falando, com esse ar de professor que faz perguntas ao invés de dar respostas.

De qualquer maneira, apesar da curiosidade, protelei a inscrição. Nem mesmo comprei livros, os quais costumo devorar, para saber mais a respeito.

Em junho, pensando sobre o que faria nas férias, decidi dar uma chance a mim mesmo e, como nerd que sou, me inscrever em um curso de Coaching. Vou estudar! Usei a desculpa de aprimoramento profissional e decidi fazer o investimento.

Pesquisei na internet, liguei para algumas escolas, visitei uma delas e decidi fazer o curso de Personal & Self Coaching (PSC) no Instituto Brasileiro de Coaching.

Sendo muito sincero, eu não tinha certeza do que encontraria.

O curso (parte presencial) durou uma semana, de 10 a 16 de julho. Eu chegava no IBC por volta das 08h30 e não tinha hora certa para sair. Foi intenso! Foi puxado! Foi cansativo! Gostei muito!

Estava em busca de ferramentas e técnicas que me permitissem compreender melhor os alunos e ajudar cada um deles a desenvolver o máximo de seu potencial. Imaginei aulas teóricas e muito exercício cerebral. Estava pronto para isso!

Deparei-me com algo diferente, em que acredito muito: Metodologia Ativa de Aprendizagem! Queríamos ser Coaches! Aprendemos isso “sendo Coaches” e colocando em prática diversas ferramentas que nos guiaram a uma viagem inesquecível!

Por meio de perguntas estratégicas, feitas em momentos especiais, em “sintonia profunda” com o parceiro de exercício, fomos levados aos mais distantes recantos de nossas vidas. Lembramos de momentos marcantes e das lições que ficaram e definem quem somos hoje! Aprendi a ouvir com atenção, sem julgamento, respeitando e admirando a lição aprendida por cada um. Percebi que todos temos os nossos aprendizados com a vida. Aprendi a valorizar cada momento, cada capítulo, cada personagem de minha própria vida. Sou grato por todos eles! Tenho muito orgulho de minha história!

Foram 7 dias de intensa e profunda metacognição!

Aprendi “um pouco” sobre as diferentes linguagens na comunicação humana e sobre como isso interfere na compreensão e satisfação de nossos anseios. Quanta coisa teria sido diferente se eu tivesse noção disso antes. Quantas vezes dei o melhor de mim imaginando acertar, sem perceber que a expectativa do outro era até mesmo mais simples, mas nossa comunicação não estava em sintonia.

Sinto-me como se tivesse passado pelo check-up mais completo já realizado. Cada atividade promovia reflexão mais e mais profunda, fazendo com que memórias esquecidas e soterradas no fundo da mente começassem a vir à tona.

Memórias da infância, da adolescência, da juventude, do início da vida profissional, das diversas situações enfrentadas em cada momento da vida pessoal e profissional.

Biólogo, naturalista, guia de ecoturismo, monitor de estudos do meio, empreendedor na área de ecoturismo e viagens escolares, fotógrafo de natureza, professor e coordenador de Ciências da Natureza, coordenador de Tecnologia Educacional… Coaching em formação! Até o momento esses são os papéis que acumulo na vida. Quem sabe algum dia poderei acrescentar outros: escritor, alpinista ou turista espacial.

Tais memórias resgatadas começaram a atuar como se fossem ferramentas multiuso retiradas do fundo da mochila. Elas ficam ali esquecidas e, na hora do aperto, ajudam a resolver diversas questões.

O curso de coach me fez refletir sobre a própria história e resgatar cada um desses personagens!

Todos estão conversando e trocando figurinhas entre si. Cada qual com sua história, cada qual com suas forças e fraquezas. Individualmente talvez sintam medo de algumas coisas. Porém, o medo de um é superado pela coragem de outro! A inexperiência de um é superada pela vivência de outro. A fraqueza de um é suprida pela FORÇA DE TODOS JUNTOS!

Sou a soma de todos os instantes, pensamentos, sentimentos, ações, aprendizados… lições de minha vida!

O curso de Coach me ajudou a reencontrar tudo isso! Valeu a pena!

Quanto ao meu objetivo inicial, ser um melhor professor, tenho certeza de que o atingi! Aprendi ferramentas e técnicas que, adequadas ao contexto escolar, certamente me ajudarão. Ao conhecer melhor a mim mesmo poderei usar recursos que nem lembrava ter.

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana… Carl Jung”

Ao refletir sobre minha história de vida em tal profundidade passei a ter muito mais clareza de quem sou em todos os aspectos de minha vida.

Ficou claro que ao entrar em sala de aula e interagir com os alunos, coordenar uma reunião de professores ou palestrar em uma reunião de pais, carrego comigo o conhecimento e experiência adquiridos ao longo de cada etapa da vida! Sou biólogo, naturalista, guia de ecoturismo, empreendedor, professor e coordenador de Ciências da Natureza, coordenador de Tecnologia Educacional, fotógrafo de natureza, futuro coach, futuro escritor…

Acho que tinha esquecido algumas dessas experiências! Agora sei o que carrego na mochila!

Tenho certeza de que o investimento foi muito bem feito! Farei outros cursos e outras formações em coaching. Gostei do que encontrei! Quero mais!

Se me pedirem uma definição sobre coaching eu diria que “é um processo em que duas pessoas, coach e coachee, analisam uma situação problema do coachee e buscam, em suas experiências e aprendizagens anteriores, a melhor estratégia para enfrentar tal situação”.

Recomendo a quem tem curiosidade, mas ainda resiste a ela, que se permita conhecer o trabalho de um coach e as possibilidades de autoconhecimento inerentes ao processo de coaching.

Você pode ter uma grata surpresa!

Carlos Eduardo Godoy

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O que é a Carta da Terra?

O que é a Carta da Terra
Carta da Terra

A Carta da Terra é um documento elaborado com o objetivo de orientar as ações humanas segundo princípios éticos, justos e que promovam o desenvolvimento de forma sustentável.

Ela surgiu como resultado da reflexão sobre os impactos do crescimento e desenvolvimento da humanidade no planeta.

Contexto

Estamos no início do século XXI, um momento decisivo para a história da humanidade.

Descobertas na medicina, agricultura e tecnologia em geral tornaram a sobrevivência mais fácil diante de desafios que antes dificultavam a vida. Como consequência nossa expectativa de vida tem aumentado ano a ano.

Porém, esse novo contexto também pode levar ao nosso fim.

À medida que a população humana cresce, aumenta também a demanda por recursos naturais e a liberação de resíduos poluentes no ambiente.

Tal situação tem causado a destruição de ambientes e a extinção de muitas espécies animais e vegetais, levado o planeta a beira do colapso.

É preciso mudar a forma de agir, buscando meios de obter do planeta aquilo que precisamos para sobreviver sem destrui-lo.

A Carta da Terra pode orientar na tomada de decisões mais inteligentes e capazes de não apenas minimizar os impactos e destruição de ambientes, mas também de recuperar aqueles já degradados.

Sua leitura é essencial na formação do cidadão do século XXI.

Texto da Carta da Terra

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
    maior responsabilidade de promover o bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

  1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
  2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.

  1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
  2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.

  1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
  2. stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
  3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
  4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
    causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses
    organismos prejudiciais.
  5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
  6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

  1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
  2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
  3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
  4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
  5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

  1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
  2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
  3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de tecnologias
    ambientais seguras.
  4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
  5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
  6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.

  1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
  2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
  3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

  1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
  2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
  3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.

  1. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
  2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
  3. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
  4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais
    atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas
    conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.

  1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
  2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
  3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da
    família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

  1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
  2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
  3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu
    papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
  4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.

  1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
  2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
  3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
  4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
  5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
  6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

  1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
  2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
  3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
  4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

  1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
  2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
  3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.

  1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
  2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
  3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
  4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em
    massa.
  5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
  6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.

Fonte: http://www.cartadaterrabrasil.com.br/prt/text.html

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Conceitos essenciais para compreender a natureza

Você compreende a natureza?

Observe a imagem abaixo.

Identifique os elementos presentes na paisagem e os fenômenos naturais que estão ocorrendo.

Estudo do Meio na Ilha do Cardoso - Cananeia / SP. Em busca de compreender a natureza.
Estudo do Meio na Ilha do Cardoso – Cananeia / SP

Tudo está relacionado! Sol, vento, chuva, ondas, dia, noite, inverno, verão, animais se reproduzindo, vegetais crescendo…

Um texto de 1854, a famosa “Carta do Chefe Seattle”, supostamente escrita como um manifesto indígena ao então presidente americano Franklin Pierce, dizia: “Somos todos fios de uma mesma teia. O que acontecer com a teia acontecerá com cada um de nós.”

Essa frase apresenta um princípio básico da Ecologia (Ciência que estuda as relações entre os elementos da natureza): Somos elementos constituintes de um sistema – O planeta Terra. Esse sistema influencia a vida e é influenciado por ela. Logo, estamos sujeitos às interações entre todos os elementos.

Assim, para compreender o que ocorre ao nosso redor, desde o amanhecer até o cair da noite, do anoitecer ao novo amanhecer, em cada dia das estações do ano, precisamos olhar com atenção e identificar os elementos envolvidos nos fenômenos naturais, suas interações e suas ações.

Dirigindo o olhar para estas questões podemos começar a compreender o funcionamento da natureza, percebendo a existência de relações de causa e consequência entre fatos observados, em que um fato certamente causa outro, ou ainda de relações nas quais ao ocorrer um fato, há grande probabilidade de ocorrer outro.

De que maneira os elementos vivos e não vivos estão relacionados? Como cada um pode interferir no outro? O que origina as ondas e os ventos? O que é chuva? Como germina uma semente?

Semente de feijão germinando sobre areia. Em busca de compreender a natureza.
Semente de feijão germinando sobre areia

Conhecimentos básicos para compreender a natureza

Para responder a essas e outras perguntas, alguns conceitos são essenciais:

  • O planeta Terra é um sistema formado por elementos vivos e não vivos.
  • Todos os seres vivos são formados por células, que dependem de energia e matéria-prima para funcionar, se desenvolver e se multiplicar.
  • Elementos vivos dependem de outros elementos (vivos e não vivos) para sobreviver.
  • Há um ciclo de matéria (nutrientes) e energia entre todos os seres vivos.
  • Seres vivos se reproduzem, transmitindo informações de seu organismo para a próxima geração por meio do material genético. A reprodução pode ser sexuada ou assexuada.
  • As características dos seres vivos se transformam ao longo do tempo por meio da seleção natural e evolução. Apenas aqueles com características adequadas sobrevivem diante de desafios que surgem e dificultam a sobrevivência.
  • O mundo está em constante transformação, evidenciada por fenômenos físicos, químicos e biológicos. O planeta é dinâmico e muda constantemente devido à interação entre elementos vivos e não vivos.
  • Toda a matéria existente é formada por pequenas partículas (átomos) organizadas de diferentes maneiras.
  • Matéria e energia interagem o tempo todo. A energia se transforma de um tipo em outro. A energia altera a matéria.
  • Fenômenos naturais ocorrem ciclicamente: Dia e noite, Estações do ano, Ciclo da água na natureza, Ciclo de vida dos seres vivos e outros.

Há outros conceitos relacionados e também bastante importantes, mas dominando esses selecionados você certamente melhorará sua compreensão dos fenômenos naturais que caracterizam nosso mundo.

Consequências da compreensão da natureza

A compreensão dos princípios que regem o funcionamento do planeta e a interação entre elementos vivos e não vivos certamente aumenta a capacidade de identificar detalhes antes não percebidos no ambiente.

Tempestades antes assustadoras tornam-se eventos interessantes do Ciclo da Água. Predadores devorando suas presas são apenas cenas da Teia Alimentar. Pequenos pontos se movendo no chão são animais curiosos e até mesmo simpáticos! A areia dos rios se transforma em um tesouro repleto de pequenos cristais e a areia da praia esconde inúmeras conchas e esqueletos de animais marinhos.

O mundo se torna alvo da curiosidade!

“O conhecimento gera interesse. O interesse gera curiosidade. A curiosidade gera mais conhecimento e vontade de preservar. A vontade de preservar gera respeito e ações que contribuem para a preservação do planeta!”

Finalizando

Ao caminhar pela natureza, sejam praias desertas, trilhas nas montanhas ou cavernas escondidas na mata atlântica, passamos por diversos organismos e fenômenos naturais extremamente belos e interessantes. Porém, a falta de conhecimento e compreensão sobre os mesmos muitas vezes nos faz passar por eles sem percebê-los.

Compreendendo os conceitos mencionados anteriormente, e aplicando-os na interpretação daquilo que é observado, ampliamos nosso potencial para explorar, investigar, perceber detalhes, interpretar, compreender e nos maravilhar com o mundo.

Tenho certeza de que esses são motivos bastante convincentes e motivadores para estudar as Ciências da Natureza.

Em outros artigos aprofundarei cada um dos tópicos mencionados acima, apresentando conhecimentos importantes para aqueles que desejam conhecer melhor o mundo em que vivem, do qual fazem parte, e que nos oferece tesouros que merecem ser explorados e conhecidos.

Recomendo a leitura do artigo “O que é Observação investigativa?”, em que são apresentados exemplos de sequências didáticas para desenvolver a capacidade de observação do aluno.

Pense a respeito.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

Fotografe para não esquecer

Você se lembra da última viagem que fez? Acha que conseguiria narrar em detalhes todos os acontecimentos, sem esquecer de nada, ou ainda sem alterar os fatos?

Não é tão fácil quanto parece. Ainda mais se você viaja bastante.

Podemos comparar nossa memória a uma gaveta na qual vamos colocando novas informações continuamente. Aquelas mais antigas, se não forem resgatadas e trabalhadas, vão ficando soterradas e cada vez mais difíceis de serem encontradas.

Tente se lembrar de uma viagem feita anos atrás! A mais antiga possível. O que você se lembra dela?

Provavelmente há lacunas em suas informações. Talvez nem se se lembre dela.

Juntar experiências ao longo da vida

Viajei bastante! Não tanto quanto gostaria, mas o suficiente para conhecer um pouquinho de nosso belo país.

Ao entrar na faculdade de biologia, encontrei diversas pessoas cujo principal objetivo era conhecer o máximo possível do mundo natural. Na época, nosso sonho era viajar o mundo como Jacques Cousteau, David Attenborough e outros naturalistas famosos. Quem sabe refazer os passos de Charles Darwin!

Praia, montanha, floresta, caverna… todo ambiente era um desafio a ser vencido, explorado, descoberto. Fiz muitas viagens para explorar locais ainda pouco conhecidos. Nosso curso de biologia era o caminho para transformar sonhos em realidade. Me diverti bastante!

Essas viagens, comuns dentro de faculdades de biologia, geologia e geografia, eram raras foram do ambiente universitário. Na época, o ecoturismo e o turismo de aventura ainda eram pouco praticados.

Tenho lembranças inesquecíveis. Principalmente, dos momentos de maior emoção. Porém, não tenho nenhuma imagem!

A fotografia era um hobby bastante caro, pois havia o preço dos filmes, da revelação e da ampliação de cada foto.  Eu não tinha câmera fotográfica!

Estive dezenas de vezes no Petar e na Ilha do Cardoso, pois trabalhava como monitor em viagens de estudo do meio e ecoturismo. Conheço esses locais muito bem, mas aquilo que ocorreu em cada viagem agora é uma grande sopa de informações misturadas. Com o tempo, muitas das lembranças estão se perdendo, ou até mesmo se mesclando.

Se eu tivesse fotografado, hoje teria álbuns que contariam a história de cada aventura.

A fotografia é uma ferramenta de registro fantástica, que permite eternizar momentos!

Imagens de viagens

A partir do momento em que comprei minha primeira câmera passei a fazer registros dos principais momentos de cada viagem. Hoje tenho a possibilidade de resgatar as principais informações sobre diferentes locais que visitei nos últimos anos. Criei contas no Instagram e no Facebook, onde publico as fotos e compartilho com os amigos.

As imagens a seguir mostram alguns desses momentos.

Caminhada ao Pico da Bandeira

Foto feita no Caminho da Luz – De Tombos (MG) ao Pico da Bandeira

Estudo do Meio na Ilha do Cardoso - Cananeia / SP

Ilha do Cardoso – Estudo do Meio

Editando imagens em Expedição ao Pantanal Matogrossense

Pantanal mato-grossense – Expedição para fotografar a fauna da região

Viagem de Birdwatching ao Parque Estadual Carlos Botelho

Viagem de Birdwatching ao Parque Estadual Carlos Botelho

Observando estrelas no Acampamento Replago

Observando estrelas no Acampamento Replago

Finalizando

Pense a respeito.

Se você ainda não tem o hábito de fotografar, aprenda a usar a câmera de seu smartphone e passe a registrar seu cotidiano.

Ao menos registre suas viagens e eventos mais importantes! Crie álbuns virtuais e organize suas fotos em álbuns. Assim, a qualquer momento você poderá reviver detalhes de eventos passados.

O facebook permite fazer isso com facilidade e compartilhar com os amigos. Já o Instagram, apesar de não criar pastas ou álbuns, é uma rede social voltada para o compartilhamento de fotografias que faz muito sucesso.

Garanto que será extremamente gratificante olhar as imagens algum tempo depois.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

Leitura de imagem

Treinando o olhar com a leitura de imagem

Você é um bom observador?

Saiba que é possível aprimorar essa habilidade. Para isso, um bom exercício é a leitura de imagem.

Observe a imagem acima com atenção. Ela foi selecionada randomicamente dentre um banco de imagens que representa os muitos elementos e fenômenos naturais.

Analise-a cuidadosamente. Identifique os elementos presentes e sua distribuição. Quais aparecem em primeiro plano? Quais aparecem ao fundo? É possível identificar alguma relação entre os eles? O que podemos inferir a partir da observação? Que outras informações poderiam ser obtidas a partir da observação “ao vivo”?

A seguir, tente responder as perguntas.

Bom trabalho!

 

Caso seja um ser vivo

– É possível observar todo o organismo?

– Que parte dele aparece em destaque?

– Que etapa do ciclo vital é representada?

– Você consegue identificar esse ser vivo?

– Como ele se relaciona a nós? É útil? É perigoso? É indiferente?

– Onde vive?

– Como ele participa da cadeia alimentar?

– O que mais você sabe dizer sobre esse organismo?

Caso seja um fenômeno natural

– Onde ocorre esse fenômeno?

– De que maneira ele influencia na vida dos habitantes do ambiente?

– Que elementos da natureza participam do fenômeno?

– Quais são as causas e consequências desse fenômeno?

– Como ele pode nos afetar?

– Como você explicaria o fenômeno? O que você sabe sobre ele?

Caso seja um ambiente da natureza

– Que elementos vivos e não vivos compõem o ambiente?

– Como os elementos vivos e não vivos estão distribuídos?

– Onde encontramos esse ambiente?

– Como é a relação do ser humano com esse ambiente?

– Quais são as características do ambiente que o definem?

– Quais são as pressões seletivas sobre seus habitantes?

– O que mais você sabe sobre ele?

Para trocar a imagem, recarregue a página (F5 ou refresh)

Finalizando

O olhar atento, analítico, é fundamental para a percepção e compreensão do mundo.

Ele permite a identificação dos elementos que formam os ambientes, dos fenômenos naturais e das relações existentes entre os elementos.

É de grande importância que o professor promova exercícios de treinamento do olhar em suas sequências didáticas.

Caso tenha interesse, clique nos links a seguir e faça download de exemplos de fichas de leitura de imagem. Ficha 01 e Ficha 02.

Leia também o artigo “Observação investigativa“. Ele apresenta uma proposta de progressão no treinamento do olhar.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo.)

DICAS DE LIVROS SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS

 Fonte da imagem miniatura (Thumbnail) – http://br.freepik.com/vetores-gratis/lupa-sobre-uma-impressao-digital_853908.htm

Tecnologia a serviço do professor

Para que serve a tecnologia na vida de um professor?

Não é preciso receber um implante cibernético para que nos tornemos capazes de realizar tarefas que vão além do potencial humano anteriormente conhecido, basta aprender a usar novas ferramentas!

A tecnologia que surge a todo instante e ganha espaço em nossas vidas deve ser vista como muito mais que um kit de acessórios pessoais.

Na verdade, ela está mudando nossa maneira de pensar, de agir, de ser!

Ao aprender a utilizar diferentes recursos externos ao organismo, e fazer deles parte do cotidiano, estamos potencializando nossa capacidade de realizar tarefas como se fôssemos ciborgs, organismos meio homem, meio máquina.

O que antes demorava horas, dias, meses… agora é feito em segundos!

Isso traz economia de tempo, ganho de qualidade e ampliação do universo de possibilidades criativas para um ponto praticamente sem limites.

Além disso, ao criá-las, programá-las, usá-las para resolver desafios, estamos ensinando o cérebro a pensar de maneira mais lógica e objetiva, ampliando o próprio potencial humano. Mas esse é um assunto para a neurociência… sugiro a leitura desses artigos (http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/importante-aprender-programar-787139.shtml e http://tab.uol.com.br/neurohacking/#cerebro-hackeado )

Nesse texto pretendo discorrer apenas sobre a realização de tarefas cotidianas de um professor.

Preciso mesmo disso? O que eu ganho usando essa ferramenta?

Embora possam parecer perguntas de quem não quer usar uma nova ferramenta, tal questionamento é bastante importante!

Para que serve? Como pode me ajudar? Que ganhos terei? Como minha aula pode se tornar mais eficiente? Que aprendizados meus alunos terão? Como integrá-la em minha sequência didática?

Essas perguntas devem ser feitas sempre que nos deparamos com novidades tecnológicas. Lembro-me de quando surgiram os tablets, que logo viraram febre. Depois surgiram os Chromebooks e mais uma vez houve grande estardalhaço. O que fizeram? Como são utilizados? Que ganhos trouxeram?

Penso que são ferramentas úteis, interessantes, cada qual com suas próprias características e aplicações em sala de aula. Assim ocorre também com diversos outros recursos tecnológicos, sejam eles hardware ou software.

O importante é pensar sempre qual será o ganho para professor e/ou aluno com o uso de uma nova tecnologia.

Os recursos tecnológicos devem ser vistos como ferramentas de produtividade pessoal, que permitem a realização de tarefas com maior qualidade, maior eficiência, menor demanda de energia e tempo ou ainda que não poderiam ser realizadas sem sua utilização.

Não tenho dúvidas de que as ferramentas tecnológicas são essenciais no cotidiano escolar. Elas fazem parte do cabedal de recursos que nossos alunos devem aprender a utilizar para lidar com desafios que terão pela frente.

Bernardo Toro, em seus “Códigos da Modernidade”, apresenta um conjunto de competências mínimas para o indivíduo participar de maneira produtiva na sociedade do século XXI.

  • Domínio da leitura e da escrita;
  • Capacidade de fazer cálculos e resolver problemas;
  • Capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações;
  • Capacidade de compreender e atuar em seu entorno social;
  • Receber criticamente os meios de comunicação;
  • Capacidade de localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada;
  • Capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo.

Perrenoud, em seus diversos textos, define competência como a faculdade de mobilizar recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para enfrentar com pertinência e eficácia uma série de situações.

Assim, professores devem apresentar competências necessárias ao desenvolvimento de competências dos alunos, que as utilizarão em seus desafios pessoais.

As ferramentas tecnológicas desempenham papel fundamental nesse contexto, pois o cidadão produtivo deve ser capaz de utilizar recursos disponíveis para realizar as tarefas que lhe são solicitadas. Além de serem essenciais para a realização de determinadas tarefas, as ferramentas tecnológicas contribuem para o desenvolvimento de habilidades e competências diversas.

O que podemos fazer com a tecnologia

Pensando no cotidiano de um professor, seja na interação com o aluno, seja na interação com a escola e o mundo, há diversas situações em que o uso adequado de recursos modernos pode trazer grandes vantagens.

Dentre elas podemos mencionar:

  • Produção de material didático em geral – Suítes Office (Microsoft, Apple, Google, Libre Office e outras) oferecem:
    • Editores de texto – Permitem a produção, correção ortográfica e formatação de textos com alta qualidade visual, tornando mais simples essa tarefa.
    • Editores de slides – Possibilitam a produção de apresentações de slides com textos, imagens, animações e diversos outros recursos que tornam aulas e palestras muito mais interessantes.
    • Planilhas eletrônicas – Organizam dados, produzem gráficos, realizam cálculos complexos e tornam simples a interpretação de resultados numéricos.
  • Produção de e-books interativos – O ibooks Author, da Apple, possibilita a criação de e-books interativos fantásticos! O único senão é que esses e-books são acessíveis apenas em iPads e computadores Mac. Vale a pena conhecer! Há um e-book gratuito, “Life on Earth”, criado como modelo para professores conhecerem as possibilidades didáticas de tal recurso.
  • Edição de imagens (fotos e filmes para videoaulas e outros materiais didáticos) – Boas imagens são essenciais para a produção de material didático atraente e capaz de transmitir mensagens com eficiência. Isso exige alguns cuidados, estratégias, técnicas e ferramentas adequadas. Geralmente temos as seguintes etapas:
    • Captação da imagem com alguma câmera – Atualmente os smartphones possuem câmeras de boa qualidade capazes de dar conta de tal desafio. Ainda assim, é bom lembrar que dificilmente eles atingem a mesma qualidade de imagem que as câmeras profissionais produzem, uma vez que elas são fabricadas para esse objetivo específico.
    • Edição das imagens – Aqui os smartphones levam grande vantagem sobre as câmeras “que não telefonam”. Além de captar as imagens em foto ou vídeo, eles possuem diversos aplicativos capazes de realizar os ajustes necessários. É possível clarear, escurecer, intensificar a cor, recortar e aplicar diversos filtros pré-existentes que melhoram muito a capacidade de comunicar ideias da imagem captada. Caso as imagens tenham sido captadas em câmeras tradicionais, elas devem ser descarregadas em um computador e editadas para obter o máximo de sua qualidade. Isso é possível com alguns softwares bastante fáceis de usar. Exemplos:
      • Filmes – Podem ser editados no Windows Live Movie Maker, no iMovie e outros.
      • Fotografias – Podem ser editadas com o Fast Stone ou com o GIMP.
  • Produção de videoaulas (Filmes ou animações, geralmente narrados pelo professor, que abordam temas variados. São muito mais que apenas uma gravação da aula normalmente dada em classe) – A produção e uso desse tipo de material didático envolve duas etapas.
    • Criação – Esse tipo de material didático pode ser criado a partir de diversas ferramentas:
      • Aplicativos em tablets (Explain Everything, Adobe Spark Video) – Permitem a elaboração de slides, gravação de voz sobre os slides e salvar o arquivo como filme. Posteriormente o filme é publicado em algum serviço na web.
      • Editores de apresentação de slides (Suítes Office) – O professor elabora os slides da mesma maneira que faria para uma aula tradicional ou palestra. Porém, depois grava sua aula (narração) sobre os mesmos e os transforma em filme. Essa etapa era trabalhosa até pouco tempo e envolvia outros softwares para capturar o vídeo e editá-lo. Atualmente isso se tornou bastante fácil com o uso do Office Mix, um complemento gratuito para o Microsoft Power Point (leia um artigo sobre produção de videoaulas com o Office Mix clicando nesse link).
      • Câmeras de vídeo e softwares de edição (Windows Movie Maker, iMovie e outros) – Esses recursos são utilizados quando o professor deseja filmar sua própria aula, editar o filme e compartilhá-lo na web.
      • Serviços nativos da web – Ferramentas que permitem a criação de animações narradas ou não, com imagens e textos (Adobe Spark Video, PowToon e outros).
    • Publicação na web – Uma vez pronto o filme da videoaula, ele pode ser compartilhado com outras pessoas ao ser publicado na web. Isso pode ocorrer de diferentes maneiras:
      • Portal ou LMS (Learning Management System) da escola. Ex.: Moodle, Canvas e outros.
      • Blog do professor – Blogger, Wix e outros.
      • Serviços gratuitos (ou não) como Youtube e Vimeo.
  • Consumo de material didático digital – Materiais impressos são consumidos diretamente pelo aluno na forma de livros, fichas, cartazes e outros. Materiais digitais são consumidos através de tablets, smartphones, Chromebooks e outros computadores. Em alguns casos o material digital está publicado na web e em outros casos ele está instalado no próprio dispositivo.
  • Armazenamento na nuvem – De certa forma é uma publicação na web. Tal recurso permite que o usuário armazene seus arquivos em uma pasta na web. Assim, é possível acessar o material a partir de qualquer local! Não há mais aquele problema de “salvei o arquivo em meu computador pessoal, que está em casa.” Os serviços de hospedagem mais conhecidos são o Dropbox, o OneDrive e Google Drive.
  • Edição colaborativa de documentos online – Documentos armazenados na nuvem podem ser abertos simultaneamente em mais de um local. Ou seja, 3 alunos/professores de um grupo de trabalho podem editar o documento ao mesmo tempo, estejam eles na escola ou em suas casas! No mínimo, esse recurso possibilita ganho de tempo ao permitir o trabalho colaborativo, simultâneo ou não, independentemente da localização dos parceiros de trabalho. Os serviços de colaboração online mais conhecidos são o OneDrive e Google Drive.
  • Interação web para trabalhos em equipe – O uso de diversas ferramentas de comunicação via chat facilitam muito a realização de atividades em equipe. Um exemplo bastante frequente é a produção colaborativa de uma apresentação de slides que será utilizada como material de apoio em seminário. Os integrantes podem editar o documento simultaneamente, cada um de sua casa, comunicando-se via chat! A própria ferramenta de edição colaborativa pode apresentar um mecanismo de chat ou pode-se usar outro como o Skype.
  • Gestão do processo de ensino/aprendizagem pela web – A gestão virtual da interação entre aluno e professor, compartilhando documentos e links e avaliando aprendizagens, é uma tarefa cada vez mais presente. Ela expande a interação aluno/professor para além dos limites espaciais e temporais da aula. Há diversas plataformas em constante evolução que possibilitam essa tarefa: Moodle, Canvas, Google Sala de Aula, Edmodo e outras.
  • Busca de informações na web – A mais conhecida forma de uso da web na escola, como fonte de informações para o professor e aluno. Deve ser feita com cuidado, pois nem tudo que está publicado tem qualidade ou veracidade confirmadas. Os navegadores são a ferramenta por excelência para tal tarefa: Google Chrome, Firefox, Edge, Safári, Ópera…

Finalizando

Recursos tecnológicos representam oportunidades incríveis para o desenvolvimento de novas competências em professores e alunos, tornando-os mais aptos a enfrentar os desafios da modernidade com tranquilidade, eficiência e desenvoltura.

É importante estar atento às novidades da tecnologia, olhar para elas de forma crítica, conhecer seus fundamentos, avaliar a pertinência de seu uso e fazer escolhas!

Leia também o artigo sobre Flipped Classroom e o artigo sobre Sequências Didáticas. Neles, você poderá conhecer algumas situações de uso de ferramentas tecnológicas no contexto sala de aula.

Pense a respeito.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

Como criar videoaulas e editar vídeos – Curso na Udemy

Formação continuada de educadores

Fonte da imagem – http://www.freepik.com/free-photo/classmates-having-fun-with-a-laptop_854918.htm
Estudante assistindo videoaula.

Videoaulas – Como fazer?

O que são videoaulas?

Videoaulas são aulas gravadas em formato de vídeo e, atualmente, distribuídas por meio da internet. Algum tempo atrás as videoaulas mais famosas eram aquelas do Telecurso 2º grau, transmitido pela TV.

Hoje em dia, com o surgimento do Youtube e popularização de câmeras e smartphones, qualquer pessoa pode criar seu próprio canal e produzir as próprias videoaulas. Você já tem o seu?

Elas são utilizadas como ferramentas que estendem a escola para muito além das paredes de uma sala de aula, sem limitações espaciais ou temporais para seu uso. Sua utilização possibilita, entre outras coisas:

  • Aplicação da estratégia conhecida como Flipped-Classroom, ou Aula Invertida, em que videoaulas com conceitos fundamentais para a realização de determinada atividade são fornecidas aos alunos para que as assistam previamente em casa. Assim, os alunos preparam-se para aplicar os conhecimentos adquiridos por meio delas em atividades práticas e colaborativas realizadas em sala de aula. A aula torna-se muito mais dinâmica e interessante! Esse é um exemplo de metodologia ativa!
  • Utilização de videoaulas como material de estudo para os alunos realizarem revisões, posteriores às aulas de um certo tema, mesmo fora do ambiente escolar. Essa modalidade é utilizada em períodos de exames escolares, em que todo estudante busca rever a matéria do período e que será avaliada.
  • Realização de cursos totalmente virtuais, sem que o aluno participe de aulas presenciais. Essa modalidade de ensino está se tornando bastante comum e tem sido adotada por universidades famosas que oferecem cursos de extensão universitária.

Em qualquer situação de uso, acredito que as videoaulas sejam muito mais que mero modismo tecnológico. Elas vieram para ficar, estão ganhando espaço e tornam-se cada vez mais essenciais ao processo de ensino-aprendizagem.

Quais são os principais tipos de videoaulas?

Inicialmente as videoaulas eram gravações de aulas normais ministradas em classe. Após a filmagem, elas eram editadas e publicadas na web. Posteriormente, passaram a ser planejadas e gravadas especialmente com essa finalidade, utilizando diferentes ferramentas e estratégias.

Atualmente encontramos:

  • Aulas normais, curriculares, gravadas na própria sala e publicadas, com ou sem produção especial.
  • Aulas gravadas na própria sala, mas com o objetivo específico de publicação na web. São produções mais elaboradas, que podem combinar a lousa com slides do Power Point e até animações sofisticadas.
  • Apresentações de slides narrados pelo professor, que pode aparecer ou não. Esse é um modelo cada vez mais fácil de ser produzido pelo próprio professor, mesmo com pequena infraestrutura.
  • Gravações de telas de tablets, feitas com aplicativos também bastante simples de utilizar.

Quais são as características de uma boa videoaula

Boas videoaulas devem seguir os princípios de uma boa aula em classe:

  • Apresentar o conteúdo de forma clara, objetiva e organizada.
  • Utilizar estímulos visuais e auditivos que levem o aluno a armazenar memórias de diferentes tipos relacionadas ao conteúdo estudado.
  • Questionar o aluno criando conflitos cognitivos que o levem a refletir sobre o seu saber, o seu pensar e o seu fazer. O que já sei sobre o assunto em questão? O que deveria saber e ainda não sei? Como posso vir a saber o que preciso?
  • Auxiliar o aluno a organizar seu conhecimento relacionando-o a situações significativas de seu cotidiano.
  • Apresentar propostas e desafios para que o aluno vá além do que aprendeu e expanda seu conhecimento.

Etapas da elaboração

Assim como todo projeto, videoaulas devem ser planejadas e elaboradas com atenção, de modo a atingir os objetivos da Sequência Didática de que fazem parte.

As principais etapas de sua elaboração são:

  1. Planejamento e definição de objetivos – A quem se destina? Como será utilizada? Em que contexto? Com que objetivo?
  2. Preparação do material e esboço dos slides – Seleção de imagens e textos de apoio.
  3. Elaboração dos slides – Inserção das imagens e textos, diagramando-os de forma equilibrada e atraente.
  4. Gravação ou narração dos slides – Gravar a aula com apoio dos slides e transformá-la em filme.
  5. Edição do vídeo – Seleção e montagem de cenas com boa qualidade técnica.
  6. Publicação na web – Fazer upload para o Youtube, Vimeo, Udemy ou LMS.

Recursos necessários

Ao falar sobre a produção de videoaulas, vou considerar o modelo em que o professor narra uma sequência de slides, como se estivesse dando a aula em classe.

Para elaborar esse tipo de material são necessários:

  • Computador (desktop ou notebook).
  • Microsoft Power Point, Google apresentações ou similar.
  • Software para editar vídeos. Ex.: Movavi Vídeo Suíte.
  • Software para gravar a tela de seu computador. Ex.: Movavi Vídeo Suíte.

Como fazer videoaulas

Produzir videoaulas é algo muito mais simples do que pode parecer!

Imagino que a maioria dos professores já tenha alguma experiência com a elaboração de slides no Power Point, afinal de contas eles podem ser excelente material de apoio durante as aulas, desde que bem feitos.

  1. Com os slides prontos, você deve clicar no botão “apresentação de slides”.
  2. Ao mesmo tempo, deve “ligar” um software para gravar a tela de seu computador.
  3. Em seguida, com o gravador de telas capturando sua aula, você deve “dar a aula”, ou narrar os slides, enquanto sua voz é gravada juntamente com aquilo que aparece na tela do monitor.
  4. Ao final da “aula”, você deve desligar o programa que grava a tela e salvar o arquivo de vídeo resultante.
  5. Esse arquivo deve ser editado e publicado em seu canal no Youtube ou LMS.

Simples, não? Pois é isso mesmo!

Finalizando

O uso planejado de videoaulas traz benefícios inegáveis a professores e alunos, facilitando o trabalho de uns e melhorando a eficiência de outros.

Acredito que esse recurso criou um novo mundo na educação, possibilitando o acesso de material educativo de qualidade a pessoas de qualquer local do planeta, desde que tenha acesso à web.

Leia também o artigo sobre Flipped Classroom e o artigo sobre Sequências Didáticas. Neles, você poderá conhecer algumas modalidades de uso de videoaulas. O artigo “O que é Ensino Híbrido” também é interessante e complementará sua leitura.

Pense a respeito.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

Como criar videoaulas e editar vídeos – Curso na Udemy

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