Fotografando estudos do meio: Contando histórias com fotografias

Apresentação

Frequentemente vejo álbuns de viagem em que a maioria das fotos mostra “eu no restaurante”, “eu na praia”, “eu na balada”, “eu e a galera bagunçando” e nada de fotos da paisagem, da cidade, da estrada, de animais e vegetais típicos da região, de pessoas interessantes…

Muitas vezes as fotos não mostram nada que indique o local visitado! São fotos que poderiam ter sido feitas em qualquer local da própria cidade de origem.

Penso que fotografias feitas em viagem devem contar histórias!

Elas podem ser feitas ao longo da viagem de modo a representar o caminho percorrido, os meios de transporte usados, os restaurantes e comida locais, os atrativos visitados, as lojas de artesanato local, a arquitetura histórica, as paisagens mais bonitas, as atividades que marcaram a viagem, detalhes de animais e vegetais típicos e também as fotos “da bagunça”!

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Estudos do meio

Estudos do meio são oportunidades únicas para colocar o aluno em situações reais de investigação, nas quais assumem o protagonismo, vão em busca de informações para responder suas perguntas de pesquisa, coletam dados, registram, organizam, analisam, produzem e compartilham suas descobertas.

Nessa situação a fotografia tem papel de grande importância como ferramenta de produtividade, possibilitando o registro preciso e fiel de informações, de maneira bastante prática.

Câmeras cada vez mais compactas e fáceis de usar, ou mesmo smartphones, permitem que alunos e professores registrem todas as etapas da atividade e depois compartilhem as imagens contando a história do que ocorreu.

Tal estratégia torna a comunicação de processo e resultados, não apenas mais interessante e cativante, mas também mais precisa e fiel à realidade.

Não podemos esquecer que mesmo a fotografia sendo um “registro fiel”, ela sofre influência do olhar do fotógrafo, que registra as imagens de acordo com sua motivação, inspiração e orientação recebida. Ainda assim, essa ferramenta certamente contribui para a maior fidelidade e completude dos registros.

 

Planejando

O que contar? Que imagens produzir? Como produzir tais imagens?

Essas perguntas devem ser feitas ainda na fase de planejamento da atividade, antes da viagem, pois orientam a organização dos alunos e a distribuição de tarefas.

Nessa etapa, ao ter clareza das perguntas a serem respondidas e dos dados que devem ser coletados, o trabalho de campo deve ser planejado com cuidado, listando materiais necessários, estratégias que serão utilizadas para a coleta de dados e registro, distribuição de responsabilidades e cronograma de trabalho.

Uma das tarefas nessa etapa é elaborar um enredo do que deverá ser fotografado, com a maior precisão possível.

 

Enredo – O que contar?

O relato de uma viagem de estudo do meio deve contemplar tópicos como:

  • Onde fomos?
  • O que fizemos?
  • Que equipamento utilizamos?
  • Como fizemos (estratégia)?
  • Quais foram os personagens principais?
  • O que aprendemos?
  • Outros.

Os itens listados, se adequadamente contemplados nas imagens, possibilitam contar a história do estudo do meio com bastante precisão. Os alunos devem ter esses tópicos em mente ao longo de todo o projeto.

 

Quem faz as fotos?

A missão de registrar a atividade por meio de fotografias pode ser distribuída entre os participantes, de modo que todos pratiquem e desenvolvam a habilidade de “contar histórias por meio de fotografias”. Porém, é importante alguma orientação de modo a garantir que todas as etapas sejam registradas. Nesse caso, não há divisão de tarefas oficial no grupo.

Outra possibilidade interessante é delegar a missão do registro da viagem a um integrante de cada grupo de trabalho. Dessa maneira, com tarefas específicas para cada indivíduo, podemos ter:

  • Aluno fotógrafo.
  • Aluno que realiza registros escritos (anotações, esquemas, desenhos…).
  • Aluno que gerencia o material de trabalho em campo e realiza as atividades principais que os utilizam.
  • Aluno responsável pela gestão do grupo.
  • Outras funções.

O responsável pelas imagens deve ter em mente os tópicos que precisam ser registrados, garantindo fotografias que os registrem com clareza e precisão. Também é importante que ele esteja atento a todas as oportunidades, de modo a não deixar passar momentos interessantes e não planejados.

 

Como produzir as imagens?

Imagens feitas com o objetivo de contar a história da viagem são um pouco diferentes daquelas feitas apenas para “registrar a farra”.

Ao fotografar a diversão não há muito cuidado, preocupação, com a qualidade da imagem, enquadramento, iluminação etc. As fotos geralmente são feitas para eternizar o momento!

Por outro lado, fotos feitas como registro de atividade devem ser planejadas e realizadas com cuidado e sempre buscando a melhor qualidade possível. Elas devem cumprir uma função de comunicar ideias com clareza e precisão! Elas são planejadas, pensadas, antes mesmo de tirar a câmera da bolsa!

Assim, para produzir imagens de boa qualidade e que cumpram sua função de “registrar e contar histórias”, alguns cuidados devem ser tomados:

  • Tema – Qual é a mensagem que a foto deve transmitir? Essa questão deve orientar o olhar e o fazer do fotógrafo durante toda a atividade. As imagens têm o objetivo de contar o que ocorreu ao longo do estudo do meio.
  • Enquadramento – Deve-se ter o cuidado de enquadrar no campo da imagem toda a cena em questão, tomando especial cuidado para não deixar de fora elementos importantes do momento. É melhor dar alguns passos para trás e ficar mais distante, do que cortar a cabeça de algum dos integrantes do grupo de trabalho.
  • Iluminação – Fotografia é o registro da luz que reflete nos elementos fotografados. Se não houver luz suficiente, ou se ela for excessiva, a fotografia não ficará boa. Um desafio do fotógrafo é encontrar posições que permitam fazer a foto de acordo com a luz disponível.
  • Nitidez – A pressa de apertar o botão do clique muitas vezes faz com que a foto saia toda tremida e não aproveitável para o trabalho. É preciso encontrar a cena a ser fotografada, escolher a melhor posição para registrá-la, posicionar-se adequadamente, segurar a câmera com firmeza e então apertar o botão do clique! Uma foto tremida pode colocar a perder todo o trabalho anterior!

 

O que levar na viagem?

Uma vez que o registro fotográfico tem fundamental importância na atividade, ele deve ser planejado com atenção.

Que material levar? O que não pode faltar?

Essas questões são de importância estratégica e devem ser levadas muito a sério. A fotografia deixa de ser uma brincadeira e passa a ter papel de ferramenta de trabalho.

Os itens fundamentais que garantem sua fotografia são: a câmera, os cartões de memória e as pilhas ou baterias.

Já viajei muito como guia de ecoturismo, monitor de viagens de estudo do meio e como professor acompanhando meus alunos.

Em todas as viagens que fiz sempre houve alguém que esqueceu algum desses itens! A consequência é “perder a chance” de registrar momentos únicos, que certamente não se repetirão…

Alguns me procuraram para reclamar que a câmera não funcionava, havia quebrado. Muitas vezes era apenas um caso de pilhas ou baterias descarregadas. Outras vezes o cartão estava “cheio”, pois fora trazido com fotos de viagens anteriores ou festas.

Para piorar a situação essas pessoas geralmente não possuem cartão extra, pilhas reservas ou o carregador de sua bateria! A pressa ao arrumar a mala é uma das principais causas desses problemas.

Leve sempre cartões extras, você nunca se arrependerá. Leve também pilhas extras além das que estão na câmera.

Tenha sempre uma lista de itens a levar na bagagem. Imprima-a e use-a para conferir se pegou tudo!

Sugestão de lista:

• Câmera fotográfica digital

• Cartão de memória principal (já na câmera) e cartão de memória reserva (imagine tirar 150 fotos por dia).

• Pilhas na câmera, pilhas reservas e carregador de pilhas ou bateria da câmera e carregador de bateria.

 

Onde levar o equipamento?

Nunca se sabe o que vai aparecer em cada momento da viagem! As fotos mais interessantes são aquelas que registram momentos inesperados, muitas vezes efêmeros e únicos.

Por essa razão a câmera deve estar sempre em uma mochila de fácil acesso, para que possa ser utilizada rapidamente. Os cartões de memória e pilhas reservas também devem estar nessa mochila.

Se a câmera estiver na mala, no bagageiro, provavelmente a situação a ser fotografada não estará mais disponível quando você tiver a câmera na mão. Um erro comum é guardar o equipamento na mala de viagem que, deixada no hotel ou ainda no bagageiro de ônibus, impossibilita a fotografia.

Um ponto importante é manter a câmera sempre dentro um “case” apropriado, que a protege de poeira, riscos na lente, líquidos e pancadas. Já vi câmeras dentro de uma mochila na qual a barra de chocolate derreteu com o calor do sol… Imagine o estado em que a câmera ficou.

Em outras situações, a areia, chuva e até o calor do sol podem causar danos ao equipamento.

Uma precaução interessante é carregar sempre sacos plásticos para envolver o equipamento em caso de chuva.

Com os devidos cuidados sua câmera estará sempre à mão e pronta para registrar todos os momentos da viagem.

 

O professor

Assim como os alunos, o professor pode e deve utilizar a fotografia instrumento de registro da viagem. Desse modo, aspectos pedagógicos relevantes poderão ser, posteriormente, compartilhados com colegas, analisados., avaliados e repetidos ou alterados em atividades futuras.

 

Finalizando

Pense a respeito. Reflita sobre suas ações em sala de aula. Analise-se! Ouse experimentar novas ferramentas e estratégias!

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).

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