Estudos do meio & Conscientização ambiental

A humanidade enfrenta provavelmente o maior desafio desde sua origem: Sobreviver às consequências de suas próprias ações! Nesse contexto, a educação é sua maior chance de vencer!

Não lutamos mais contra predadores vorazes que nos perseguem e ameaçam nossa sobrevivência para que eles próprios possam sobreviver. Tais predadores foram dizimados por nós, que um dia fomos suas presas.

Muito mais que exterminar aqueles que um dia nos ameaçaram, exterminamos também aqueles que nos alimentaram e forneceram recursos essenciais para chegarmos até aqui. Animais, vegetais, fungos e diversos microrganismos potencialmente úteis para a humanidade desaparecem semana a semana. Até mesmo espécies ainda não conhecidas estão sendo extintas.

Extinção é para sempre! Sinto profundo pesar cada vez que uma espécie é considerada extinta, ou está em vias de desaparecer. Sinto-me culpado.

O sucesso de nossa espécie representa o fracasso do planeta. Há um preço para tal sucesso!

Assim como todo ser vivo, necessitamos de energia e matéria-prima para crescer e completar nosso ciclo de vida. 

Mais que o alimento diário, nosso modo de vida atual demanda diversos outros recursos naturais utilizados para construir, fabricar, toda a vasta gama de artefatos característicos da sociedade moderna. Desejamos conforto e melhor qualidade de vida. Para isso destruímos o planeta.

Extraímos do ambiente tudo aquilo que julgamos necessário para suprir nossas necessidades. Tiramos do planeta. Tiramos de outros seres vivos. Pegamos aquilo que consideramos nosso, sem levar em consideração que todos os outros seres vivos que habitam a Terra necessitam dos mesmos recursos. Na verdade, eles são grande parte dos recursos que utilizamos.

Assim, a humanidade se torna cada vez mais “bem sucedida”!

É preciso desenvolver nas pessoas a consciência de que cada uma de nossas ações certamente gera consequências em diversos locais do planeta, afetando toda sorte de seres vivos. Os próprios seres humanos são os mais impactados negativamente.

Tendo isso em mente, podemos fazer escolhas! Preciso realmente comprar isso? Sendo essencial, o que é possível fazer para minimizar o impacto ambiental? Comprar em menor quantidade? Comprar de outra marca? Pedir emprestado a alguém? Emprestar a alguém que também precise? 

Certamente há muitas coisas que podem ser feitas!  

Quanto maior o grau de consciência das pessoas, melhores serão suas escolhas.

A educação pode contribuir para isso!

Ao colocar estudantes diante de situações-problema reais, em que eles investigam contextos, personagens, causas, consequências e possíveis estratégias para a solução, estamos contribuindo para aumentar o grau de consciência das novas gerações.

Estudos do meio são por excelência uma estratégia que pode dar conta disso! Conhecer novos locais, seus habitantes, sua história e seus desafios amplia a biblioteca cultural dos jovens, tornando-os mais preparados para interpretar o mundo.

A cada situação-problema investigada, outras habilidades e competências são desenvolvidas, novas experiências se acumulam e a consciência da realidade torna-se mais ampla e profunda.

Trabalhar em grupos contribui para o estabelecimento de relações mais produtivas e saudáveis entre as crianças. Empatia, comunicação e cooperação são desenvolvidas. 

Explorar e investigar o funcionamento do planeta, seus elementos e as relações entre eles, torna-o muito mais interessante. Mais que estudar e aprender, é conhecer e se apaixonar pelo conhecimento. 

A relação com o aprender, investigar e buscar conhecimento torna-se mais forte e significativa. 

A humanidade precisa de pessoas capazes de observar o mundo, identificar questões a serem investigadas ou desafios a serem enfrentados, e tomar para si a responsabilidade por ações capazes de ajudar!

O planeta Terra precisa de pessoas que compreendam os delicados mecanismos do equilíbrio ambiental e tomem decisões responsáveis em relação ao uso do espaço e dos recursos naturais.

É possível! É necessário! É essencial!

São apenas algumas reflexões.

Carlos Eduardo Godoy.