Educação Ambiental

o que é estudo do meio

Estudos do meio & Conscientização ambiental

A humanidade enfrenta provavelmente o maior desafio desde sua origem: Sobreviver às consequências de suas próprias ações! Nesse contexto, a educação é sua maior chance de vencer!

Não lutamos mais contra predadores vorazes que nos perseguem e ameaçam nossa sobrevivência para que eles próprios possam sobreviver. Tais predadores foram dizimados por nós, que um dia fomos suas presas.

Muito mais que exterminar aqueles que um dia nos ameaçaram, exterminamos também aqueles que nos alimentaram e forneceram recursos essenciais para chegarmos até aqui. Animais, vegetais, fungos e diversos microrganismos potencialmente úteis para a humanidade desaparecem semana a semana. Até mesmo espécies ainda não conhecidas estão sendo extintas.

Extinção é para sempre! Sinto profundo pesar cada vez que uma espécie é considerada extinta, ou está em vias de desaparecer. Sinto-me culpado.

O sucesso de nossa espécie representa o fracasso do planeta. Há um preço para tal sucesso!

Assim como todo ser vivo, necessitamos de energia e matéria-prima para crescer e completar nosso ciclo de vida. 

Mais que o alimento diário, nosso modo de vida atual demanda diversos outros recursos naturais utilizados para construir, fabricar, toda a vasta gama de artefatos característicos da sociedade moderna. Desejamos conforto e melhor qualidade de vida. Para isso destruímos o planeta.

Extraímos do ambiente tudo aquilo que julgamos necessário para suprir nossas necessidades. Tiramos do planeta. Tiramos de outros seres vivos. Pegamos aquilo que consideramos nosso, sem levar em consideração que todos os outros seres vivos que habitam a Terra necessitam dos mesmos recursos. Na verdade, eles são grande parte dos recursos que utilizamos.

Assim, a humanidade se torna cada vez mais “bem sucedida”!

É preciso desenvolver nas pessoas a consciência de que cada uma de nossas ações certamente gera consequências em diversos locais do planeta, afetando toda sorte de seres vivos. Os próprios seres humanos são os mais impactados negativamente.

Tendo isso em mente, podemos fazer escolhas! Preciso realmente comprar isso? Sendo essencial, o que é possível fazer para minimizar o impacto ambiental? Comprar em menor quantidade? Comprar de outra marca? Pedir emprestado a alguém? Emprestar a alguém que também precise? 

Certamente há muitas coisas que podem ser feitas!  

Quanto maior o grau de consciência das pessoas, melhores serão suas escolhas.

A educação pode contribuir para isso!

Ao colocar estudantes diante de situações-problema reais, em que eles investigam contextos, personagens, causas, consequências e possíveis estratégias para a solução, estamos contribuindo para aumentar o grau de consciência das novas gerações.

Estudos do meio são por excelência uma estratégia que pode dar conta disso! Conhecer novos locais, seus habitantes, sua história e seus desafios amplia a biblioteca cultural dos jovens, tornando-os mais preparados para interpretar o mundo.

A cada situação-problema investigada, outras habilidades e competências são desenvolvidas, novas experiências se acumulam e a consciência da realidade torna-se mais ampla e profunda.

Trabalhar em grupos contribui para o estabelecimento de relações mais produtivas e saudáveis entre as crianças. Empatia, comunicação e cooperação são desenvolvidas. 

Explorar e investigar o funcionamento do planeta, seus elementos e as relações entre eles, torna-o muito mais interessante. Mais que estudar e aprender, é conhecer e se apaixonar pelo conhecimento. 

A relação com o aprender, investigar e buscar conhecimento torna-se mais forte e significativa. 

A humanidade precisa de pessoas capazes de observar o mundo, identificar questões a serem investigadas ou desafios a serem enfrentados, e tomar para si a responsabilidade por ações capazes de ajudar!

O planeta Terra precisa de pessoas que compreendam os delicados mecanismos do equilíbrio ambiental e tomem decisões responsáveis em relação ao uso do espaço e dos recursos naturais.

É possível! É necessário! É essencial!

São apenas algumas reflexões.

Carlos Eduardo Godoy.

o que estamos fazendo com nosso planeta

O que estamos fazendo com nosso planeta?

O que estamos fazendo com nosso planeta?

A Terra é o único lugar que temos para viver! Aqui surgimos. Aqui estamos. Aqui devemos ficar ainda por um longo tempo.

Apesar de Lua e Marte estarem “logo aí”, ainda falta muito para que sejam habitáveis. Temos que chegar lá, criar condições que sustentem a vida como conhecemos, construir a infraestrutura necessária para uma nova sociedade… Falta muito!

É mais fácil, rápido e barato cuidar do lugar em que estamos. É o que precisamos fazer. É o correto!

A Terra é um lindo e agradável local. Praias, montanhas, planícies, oceanos, rios, lagoas, cachoeiras, florestas, campos, pequenas manchas de vegetação em meio ao deserto… A natureza preservada é sempre bela.

Já tive a oportunidade de conhecer alguns locais e alguns de seus habitantes mais interessantes. Porém, ainda tenho o desejo de viajar muito, conhecer outros locais e observar ao vivo animais como ursos-polares, baleias azuis, cangurus, rinocerontes e muitas outras espécies.

Espero conseguir realizar esse sonho antes que tais animais desapareçam extintos.

O que fazer? 

Precisamos mudar a maneira como a humanidade vê sua relação com o planeta e todos os outros seres vivos com quem o compartilhamos. 

Dividimos essa pequena esfera azul que flutua no espaço com inúmeros outros seres vivos. 

Fazemos parte de uma única rede de relações que sustenta a vida. Dependemos uns dos outros. Ainda que muitas vezes tais relações sejam obscuras e pouco conhecidas, elas existem. A cada dia a ciência descobre novos detalhes.

Somos peças encaixadas umas nas outras assim como os tijolos que formam e sustentam as paredes de uma casa. A cada espécie que desaparece as paredes se tornam mais frágeis. Uma hora a casa cairá.

As paredes já estão balançando. A casa já corre risco de ruir. Muitos tijolos já desapareceram. É impossível trazer de volta as espécies extintas. É impossível colocar cada tijolo no local de onde foi retirado.

Podemos tentar diminuir o problema parando de aumentá-lo! Podemos cessar o desmatamento, criar programas de proteção às espécies vulneráveis, tentar recuperar áreas em que isso ainda é possível.

Porém, não é possível trazer de volta aquelas espécies que se foram! Não é possível trazer de volta a diversidade biológica dos ambientes desmatados. Não é possível achar que plantar eucaliptos é o mesmo que preservar a mata nativa.

Cada ser vivo, cada espécie, tem seu papel na manutenção do equilíbrio planetário, assim como cada tijolo tem seu papel na estrutura de uma casa.

O planeta Terra é a nossa casa!

Tenho certeza de que qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e bom senso cuida de sua casa e ficaria preocupado com o surgimento de rachaduras na parede.

Como podemos então continuar a fazer o que estamos fazendo com o planeta, com nossa única casa possível no Universo?

É preciso mudar nossa maneira de viver, se desejamos continuar a viver.  

São apenas reflexões.

Carlos Eduardo Godoy.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Agenda 2030 – Em busca de um futuro sustentável

O que é a Agenda 2030?

A Agenda 2030 é um plano de ação para a humanidade, um conjunto de metas a serem atingidas até 2030, com o objetivo de viabilizar a existência harmoniosa da humanidade no Planeta Terra.

Embora todos os seres humanos tenham como objetivo uma melhor qualidade de vida, a busca por essa situação tem levado a situações em que poucos a alcançam e a grande maioria sofre deficiências em muitos aspectos de sua vida.

Nos últimos séculos nossas ações têm causado grandes impactos ambientais, seja pelo consumo desenfreado de recursos naturais, seja pelo despejo contínuo de poluentes diversos, seja pelo desmatamento sem controle, seja pelas guerras e outras disputas por poder, seja pela desigualdade social e tantos outros desafios a serem enfrentados.

Mesmo aquele mais preocupado com o equilíbrio planetário ainda tem sua pegada ecológica, pois todos necessitamos de espaço, água, alimentos e diversos outros recursos extraídos do planeta.

As metas propostas sugerem reflexão e mudança de hábitos para minimizar a desigualdade, oferecer dignidade a todos, harmonizar as relações entre todos os seres humanos e recuperar o equilíbrio ecológico no planeta.

Como surgiu a Agenda 2030?

Ela foi concretizada em setembro de 2015, na Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, durante a 70a sessão da Assembléia Geral da ONU, como consequência de debates que se iniciaram na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio + 20, em 2012.

A Agenda apresenta 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que abrangem as dimensões social, ambiental e econômica de forma integrada e indivisível ao longo de todas as suas 169 metas.

O prazo acordado entre todos os países para o cumprimento dessas metas é o ano de 2030, quinze anos após a assinatura do acordo.

Qual é a importância da Agenda 2030?

O cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é considerado essencial para a manutenção da qualidade de vida no planeta ao longo do século XXI.

À medida que a humanidade aumenta de tamanho aumenta também a demanda por espaço e recursos naturais, aumentando o potencial de conflitos e impactos ambientais ainda maiores.

É preciso refletir sobre o caminho percorrido até o momento e, na encruzilhada atual, tomar as decisões e realizar as ações que possibilitem o reequilíbrio planetário.

ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030

Cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) busca cuidar de um aspecto a ser tratado.

Clique no link AGENDA 2030 para ler a íntegra do documento e a descrição de cada objetivo.

Saiba mais

Agenda 2030 – http://www.agenda2030.com.br/aagenda2030.php

ODS – https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

PNUD – http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/post-2015.html

Aprendendo e ensinando Ciências da Natureza

Aprendi Ciências desde criança, quando meus pais, tios e avós me incentivavam a brincar na enxurrada barrenta que se formava nas fortes chuvas, ou ainda quando passávamos a noite observando estrelas no céu de Amparo, ainda pouco ofuscado pelas luzes artificiais da cidade na época.

Também aprendi muito nas pescarias de infância, desde o momento em escavava o solo em busca de minhocas até as horas passadas na beira do lago observando um martim-pescador em busca de comida, galinhas d’água, insetos aquáticos, cobras d’água e os peixes que mordiam a isca. Aprendi sobre o vento ao fazer pipas com papel de seda e bambu e empiná-las no local em que os ventos batiam no morro e subiam verticalmente até muito alto.

Tudo era motivo para fazer perguntas aos mais velhos e buscar as respostas onde fosse possível! Desde cedo aprendi a ler enciclopédias e devorar muito mais que apenas as respostas às dúvidas iniciais.

Aprendi vivenciando cada momento de minha vida e perguntando: O que é isso? O que está acontecendo? Como se formou? O que acontecerá agora?

Comecei a ensinar Ciências respondendo às perguntas de irmãos, primos e amigos.

Formalmente, meus primeiros passos como professor foram atuando como monitor de viagens de Estudo do Meio, orientando estudantes em suas explorações na Ilha do Cardoso ainda na década de 1980. Lembro-me de cada passo naquelas praias e trilhas desertas acompanhado de crianças maravilhadas com os botos, com o inexplorado, com a aventura de explorar a natureza.

A professora Nícia Wendel de Magalhães, então diretora da ECO Associação para Estudos do Ambiente, começava a organizar esse tipo de viagens e eu, ainda aluno no curso de Ciências Biológicas no IBUSP, me candidatei para ser monitor em estudos do meio. Tínhamos o objetivo claro de sensibilizar as crianças para a importância da preservação.

Ao longo do tempo essa estratégia evoluiu bastante e hoje em dia, em viagens de estudo do meio, os estudantes são colocados em situações de trabalho muito semelhantes àquelas que verdadeiros cientistas vivenciam.

De qualquer maneira, minha formação foi grandemente influenciada por essas viagens! Sou grato à Nícia pelo incentivo!

Muitos organismos que conheci na faculdade imersos em formol (Velelas, Caravelas e Renilas por exemplo) estavam agora diante de mim vivos e pulsantes! A mata atlântica exuberante, as praias pouco pisadas pelo ser humano, noites ainda escuras pela ausência de luz elétrica…. Minha formação naturalista se completava a cada viagem!

Organismos que ainda não tinha visto, fenômenos também desconhecidos… Perguntas inesperadas! Eu era aprendiz junto com “meus alunos”. A volta para São Paulo e para a universidade era a oportunidade de perguntar aos meus professores, aos colegas mais experientes e aos livros (ainda não havia internet), o que significava aquele comportamento em tal animal, aquela estrutura estranha na planta, aquela luz piscante na água durante a noite.

Cada viagem era momento de novas aventuras, novas descobertas, novas aprendizagens!

Algum tempo depois, junto com amigos da faculdade, montei a própria empresa de viagens especializada em estudos do meio. Éramos um grupo de jovens biólogos com muita vontade de viajar pelo país e conhecer áreas ainda pouco exploradas. Organizar viagens de estudo do meio e, mais tarde, ecoturismo, era uma maneira de vivermos nosso sonho e o compartilharmos com outras pessoas.

Assim se passaram mais dez anos viajando, explorando, se divertindo muito, conhecendo novos locais pouco explorados na época, conhecendo culturas e pessoas… aprendendo!

Alguns estudantes que viajavam com a escola se encantavam e queriam mais. Nas férias, ao invés de acampamentos ou viagens tradicionais, eles nos procuravam em busca de novas aventuras em contato com a natureza. Queriam aventura, diversão, exploração… conhecer e compreender a natureza! Os estudos do meio deram origem às viagens de ecoturismo com adolescentes!

Pantanal mato-grossense, Parque Natural do Colégio do Caraça, Parque Nacional das Emas, Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, Cavernas do Petar… O Brasil todo era uma grande sala de aula! Em uma época na qual esse tipo de viagem ainda era pouco frequente viajei muito!

A aventura era importante? Sim. Mas muito mais que isso era o aprendizado sobre como “funciona a natureza em cada lugar”.

Qual é a vegetação típica? Quais são os animais que vivem aqui? Onde vivem? De que se alimentam? Que outros elementos formam sua teia alimentar? O que enxergamos no céu noturno? O que é aquela bruma que sai do rio ao amanhecer?

Cada segundo da viagem era um momento de aprendizagem sobre nosso planeta.

Essa foi uma época de grande aprendizado em minha vida! Aprendi História Natural em campo, vivenciando os mais diversos fenômenos naturais na companhia de guias locais, monitores e guias de ecoturismo com formação variada (biólogos, geólogos, geógrafos, historiadores… curiosos). Cada noite era uma roda de conversa discutindo o que havia acontecido durante o dia!

Algum tempo depois, quando ingressei na sala de aula, trouxe comigo esse conhecimento e vivência. Aprender era muito mais significativo quando partia da busca por respostas a dúvidas reais e pessoais!

Dar aulas de Ciências da Natureza tornou-se uma maneira de explorar, investigar e compartilhar ainda mais meu próprio sonho! Agora tinha diante de mim dezenas de alunos e um currículo cujo conteúdo era exatamente o que eu buscava nas viagens.

Quando, muitas vezes, me perguntavam o que mais gostava em ser biólogo / naturalista / professor de Ciências a resposta era fácil: “- Gosto de conhecer e compreender o que ocorre ao meu redor quando estou em qualquer lugar”.

Um curso de Ciências da Natureza deve ser um verdadeiro manual de instruções do mundo!

Ele precisa contribuir para que o aluno “compreenda o mundo, explique-o, preveja acontecimentos naturais (quando possível) e, se necessário, saiba como intervir de forma responsável e inteligente”.

O pensamento científico é uma forma organizada de pensar que permite identificar ou elaborar perguntas a serem investigadas, planejar e conduzir investigações, obter dados, tratá-los, elaborar conclusões, argumentar baseado em evidências… tomar decisões adequadas baseado nas conclusões.

Como fazer tudo isso?

Penso que acima de tudo está o despertar do interesse da criança pelo mundo em que vive, pelos elementos vivos e não vivos que constituem o planeta, pelos fenômenos naturais que ocorrem a todo instante, pelos enigmas do Universo, pelas perguntas ainda não respondidas, pelas coisas mais simples que estão diante de nossos olhos.

É preciso colocá-la em contato com tudo isso! É preciso mostrar a elas o que existe ao seu redor e é muitas vezes ignorado!

Tudo começa com um treinamento dos sentidos para identificar os elementos que formam o ambiente em que estamos. Muito mais que usar apenas a visão, é preciso sentir cada estímulo que ambiente nos traz usando todos os sentidos e interpretá-lo.

É preciso contemplar atentamente o mundo! A contemplação certamente leva ao surgimento de perguntas que pedirão respostas.

A partir do momento do despertar do interesse vem a capacitação para investigar e buscar a resposta. Diferentes habilidades precisam ser desenvolvidas, treinadas, aperfeiçoadas para que a criança possa ir em busca de suas respostas com maior chance de chegar a elas: Observar, identificar, descrever, comparar, explicar, justificar, relacionar e outras. Todas elas são habilidades importantes que desempenham papel fundamental na investigação e compreensão dos fenômenos naturais.

Seja em campo, observando sem interferir, seja em laboratório, testando e manipulando variáveis em condições controladas, a observação atenta, precisa e meticulosa é essencial no ato científico em busca de respostas. Ela permite ao investigador identificar elementos que poderão levar à resposta desejada.

A prática constante dessa estrutura de pensamento leva ao desenvolvimento do olhar científico como algo cotidiano e capaz de facilitar a compreensão do mundo. Podemos não saber as respostas de imediato, mas conseguimos elaborar uma estratégia que facilita a busca pela resposta.

Como consequência o mundo se torna cada vez mais interessante. A floresta deixa de ser apenas um “amontoado de árvores”. A chuva forte no verão é uma etapa do ciclo da água na natureza. As estrelas cadentes que riscam o céu noturno são meteoritos entrando na atmosfera e sendo destruídos pelo atrito com a atmosfera. O gavião devorando um peixe é uma relação alimentar na complexa trama que chamamos de teia alimentar.

Tornamo-nos cada vez mais conscientes de nosso papel no Universo! Tornamo-nos conscientes da necessidade de preservar o equilíbrio ecológico no planeta!

Esse estado de consciência para o qual o ensino/aprendizado das Ciências da Natureza pode colaborar começa com a percepção do mundo! É preciso colocar as crianças em contato real com o objeto de estudo, estimulando-as a olhar ao redor, identificar os elementos que as rodeiam, os fenômenos que ocorrem a todo instante, relações de causa e consequência… perguntas que desejem responder!

Acredito nisso!

Como professor, espero contribuir para a formação de novas gerações capazes de lidar com os desafios inerentes ao crescimento da humanidade e promover um mundo mais equilibrado e sustentável.

Forte abraço.

Carlos Eduardo Godoy.

O que é a Carta da Terra?

O que é a Carta da Terra
Carta da Terra

A Carta da Terra é um documento elaborado com o objetivo de orientar as ações humanas segundo princípios éticos, justos e que promovam o desenvolvimento de forma sustentável.

Ela surgiu como resultado da reflexão sobre os impactos do crescimento e desenvolvimento da humanidade no planeta.

Contexto

Estamos no início do século XXI, um momento decisivo para a história da humanidade.

Descobertas na medicina, agricultura e tecnologia em geral tornaram a sobrevivência mais fácil diante de desafios que antes dificultavam a vida. Como consequência nossa expectativa de vida tem aumentado ano a ano.

Porém, esse novo contexto também pode levar ao nosso fim.

À medida que a população humana cresce, aumenta também a demanda por recursos naturais e a liberação de resíduos poluentes no ambiente.

Tal situação tem causado a destruição de ambientes e a extinção de muitas espécies animais e vegetais, levado o planeta a beira do colapso.

É preciso mudar a forma de agir, buscando meios de obter do planeta aquilo que precisamos para sobreviver sem destrui-lo.

A Carta da Terra pode orientar na tomada de decisões mais inteligentes e capazes de não apenas minimizar os impactos e destruição de ambientes, mas também de recuperar aqueles já degradados.

Sua leitura é essencial na formação do cidadão do século XXI.

Texto da Carta da Terra

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
    maior responsabilidade de promover o bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

  1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
  2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.

  1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
  2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.

  1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
  2. stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
  3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
  4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
    causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses
    organismos prejudiciais.
  5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
  6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

  1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
  2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
  3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
  4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
  5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

  1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
  2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
  3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência equitativa de tecnologias
    ambientais seguras.
  4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
  5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
  6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.

  1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
  2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
  3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

  1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
  2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
  3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.

  1. Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
  2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
  3. Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
  4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais
    atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas
    conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.

  1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
  2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
  3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da
    família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

  1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
  2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
  3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu
    papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
  4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.

  1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
  2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
  3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
  4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
  5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
  6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.

  1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
  2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
  3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
  4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

  1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
  2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
  3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.

  1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
  2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
  3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
  4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em
    massa.
  5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
  6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.

Fonte: http://www.cartadaterrabrasil.com.br/prt/text.html

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Conceitos essenciais para compreender a natureza

Você compreende a natureza?

Observe a imagem abaixo.

Identifique os elementos presentes na paisagem e os fenômenos naturais que estão ocorrendo.

Estudo do Meio na Ilha do Cardoso - Cananeia / SP. Em busca de compreender a natureza.
Estudo do Meio na Ilha do Cardoso – Cananeia / SP

Tudo está relacionado! Sol, vento, chuva, ondas, dia, noite, inverno, verão, animais se reproduzindo, vegetais crescendo…

Um texto de 1854, a famosa “Carta do Chefe Seattle”, supostamente escrita como um manifesto indígena ao então presidente americano Franklin Pierce, dizia: “Somos todos fios de uma mesma teia. O que acontecer com a teia acontecerá com cada um de nós.”

Essa frase apresenta um princípio básico da Ecologia (Ciência que estuda as relações entre os elementos da natureza): Somos elementos constituintes de um sistema – O planeta Terra. Esse sistema influencia a vida e é influenciado por ela. Logo, estamos sujeitos às interações entre todos os elementos.

Assim, para compreender o que ocorre ao nosso redor, desde o amanhecer até o cair da noite, do anoitecer ao novo amanhecer, em cada dia das estações do ano, precisamos olhar com atenção e identificar os elementos envolvidos nos fenômenos naturais, suas interações e suas ações.

Dirigindo o olhar para estas questões podemos começar a compreender o funcionamento da natureza, percebendo a existência de relações de causa e consequência entre fatos observados, em que um fato certamente causa outro, ou ainda de relações nas quais ao ocorrer um fato, há grande probabilidade de ocorrer outro.

De que maneira os elementos vivos e não vivos estão relacionados? Como cada um pode interferir no outro? O que origina as ondas e os ventos? O que é chuva? Como germina uma semente?

Semente de feijão germinando sobre areia. Em busca de compreender a natureza.
Semente de feijão germinando sobre areia

Conhecimentos básicos para compreender a natureza

Para responder a essas e outras perguntas, alguns conceitos são essenciais:

  • O planeta Terra é um sistema formado por elementos vivos e não vivos.
  • Todos os seres vivos são formados por células, que dependem de energia e matéria-prima para funcionar, se desenvolver e se multiplicar.
  • Elementos vivos dependem de outros elementos (vivos e não vivos) para sobreviver.
  • Há um ciclo de matéria (nutrientes) e energia entre todos os seres vivos.
  • Seres vivos se reproduzem, transmitindo informações de seu organismo para a próxima geração por meio do material genético. A reprodução pode ser sexuada ou assexuada.
  • As características dos seres vivos se transformam ao longo do tempo por meio da seleção natural e evolução. Apenas aqueles com características adequadas sobrevivem diante de desafios que surgem e dificultam a sobrevivência.
  • O mundo está em constante transformação, evidenciada por fenômenos físicos, químicos e biológicos. O planeta é dinâmico e muda constantemente devido à interação entre elementos vivos e não vivos.
  • Toda a matéria existente é formada por pequenas partículas (átomos) organizadas de diferentes maneiras.
  • Matéria e energia interagem o tempo todo. A energia se transforma de um tipo em outro. A energia altera a matéria.
  • Fenômenos naturais ocorrem ciclicamente: Dia e noite, Estações do ano, Ciclo da água na natureza, Ciclo de vida dos seres vivos e outros.

Há outros conceitos relacionados e também bastante importantes, mas dominando esses selecionados você certamente melhorará sua compreensão dos fenômenos naturais que caracterizam nosso mundo.

Consequências da compreensão da natureza

A compreensão dos princípios que regem o funcionamento do planeta e a interação entre elementos vivos e não vivos certamente aumenta a capacidade de identificar detalhes antes não percebidos no ambiente.

Tempestades antes assustadoras tornam-se eventos interessantes do Ciclo da Água. Predadores devorando suas presas são apenas cenas da Teia Alimentar. Pequenos pontos se movendo no chão são animais curiosos e até mesmo simpáticos! A areia dos rios se transforma em um tesouro repleto de pequenos cristais e a areia da praia esconde inúmeras conchas e esqueletos de animais marinhos.

O mundo se torna alvo da curiosidade!

“O conhecimento gera interesse. O interesse gera curiosidade. A curiosidade gera mais conhecimento e vontade de preservar. A vontade de preservar gera respeito e ações que contribuem para a preservação do planeta!”

Finalizando

Ao caminhar pela natureza, sejam praias desertas, trilhas nas montanhas ou cavernas escondidas na mata atlântica, passamos por diversos organismos e fenômenos naturais extremamente belos e interessantes. Porém, a falta de conhecimento e compreensão sobre os mesmos muitas vezes nos faz passar por eles sem percebê-los.

Compreendendo os conceitos mencionados anteriormente, e aplicando-os na interpretação daquilo que é observado, ampliamos nosso potencial para explorar, investigar, perceber detalhes, interpretar, compreender e nos maravilhar com o mundo.

Tenho certeza de que esses são motivos bastante convincentes e motivadores para estudar as Ciências da Natureza.

Em outros artigos aprofundarei cada um dos tópicos mencionados acima, apresentando conhecimentos importantes para aqueles que desejam conhecer melhor o mundo em que vivem, do qual fazem parte, e que nos oferece tesouros que merecem ser explorados e conhecidos.

Recomendo a leitura do artigo “O que é Observação investigativa?”, em que são apresentados exemplos de sequências didáticas para desenvolver a capacidade de observação do aluno.

Pense a respeito.

Abraços.

Carlos Eduardo Godoy (Prof. Amparo).