Carreira

Biólogo, caipira, corintiano, professor… naturalista!

Desde muito jovem sempre fui apaixonado pela natureza, buscando compreender aquilo que ocorria ao meu redor a partir da observação atenta e de pesquisas posteriores. Ainda criança, “experimentei, investiguei, descobri, inventei”… Passava grande parte de meu tempo em uma chácara da família, com lagoas, matas, morros, noites escuras, céus estrelados, amanheceres e anoiteceres.

O mundo natural era o meu playground!

Caipira de Amparo (SP), resolvi estudar na universidade e prestei vestibular para o curso de Ciências Biológicas na Universidade de São Paulo. Dirigi meu curso para uma formação mais profunda em História Natural, ainda não percebendo a importância das disciplinas da licenciatura na Faculdade de Educação (Hoje vejo o quanto elas são importantes!).

Durante o curso comecei a trabalhar como monitor em viagens de Estudo do Meio, levando alunos para realizar pesquisa em campo, em locais de natureza quase intocada, como o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (Lagamar) e o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). Trabalhei 12 anos como monitor nessas viagens de estudo do meio, levando alunos de todas as idades (Ensino Fundamental à Universidade) para realizar trabalhos em campo, em todo o Brasil.

As viagens de estudo do meio levaram às viagens de ecoturismo, em que guiava todo tipo de pessoas interessadas em contato com a natureza! Eram viagens fantásticas, guiadas por biólogos,  geólogos, geógrafos e diversos outros profissionais com formação relacionada à interpretação da natureza.

Aprendi MUITO com essas pessoas! Aprendi ainda mais com os guias locais, quase sempre sem formação acadêmica, MAS formados pela VIDA! Pessoas que cresceram interagindo com a natureza cotidianamente, como parte de seu ritual de sobrevivência. Guias capazes de olhar o céu, sentir o cheiro do vento e dizer que a chuva estava a caminho, mesmo com o Sol brilhando no céu!

Nesse percurso de viagens de estudo descobri o quanto é gratificante participar do processo de crescimento dos alunos, contribuindo na construção de sua experiência de vida, de seu aprendizado (conhecer, fazer, viver… ser), de seu caminho. Isso nos faz crescer também.

Percebi que a sala de aula era o meu lugar. Em certo momento, iniciei minha carreira como professor em sala de aula.

Dar aulas é algo que considero desafiador, instigante, misterioso…apaixonante! Dar aulas é aprender junto com outra pessoa. Dar aulas é crescer continuamente.

“Caminhei” algum tempo na sala de aula, observando, fazendo, pensando sobre a maneira mais eficiente, para professor e alunos, de compartilhar aqueles momentos diários em um espaço “fechado”, no qual trocamos ideias, experiências, dúvidas…

Busquei novas maneiras de realizar essas atividades. Busquei formas mais interessantes, cativantes, instigantes, desafiadoras… eficientes.

Essa busca me levou de volta à universidade. A pós-graduação foi o caminho natural para aprender a realizar melhor aquilo que faz parte de meu cotidiano. Sou professor! Tenho objetivos claros como educador. Quero atingi-los mais rapidamente, mais eficientemente, com melhor qualidade. Quero que meus alunos aprendam melhor, mais rápido, com mais prazer.

Para isso voltei para a sala de aula, agora como aluno, professor e pesquisador simultaneamente. Vejo a sala de aula como um local onde conhecimento é buscado, compartilhado, e também gerado.

O olhar atento do pesquisador para as complexas e dinâmicas relações entre alunos e professor, em todos as direções e sentidos, possibilita a descoberta de nuances do processo de aprendizagem que merecem ser melhor estudadas em busca da eficiência nesse processo. Esse é o objetivo de meu pensar e fazer diariamente.

Embora tenha “pausado” o mestrado, espero retornar e finalizar essa etapa. Tudo tem seu tempo.

A pausa, entretanto, não mudou o meu pensar e fazer enquanto professor. Busco continuamente entender o que ocorre na sala de aula, de que modo os alunos pensam enquanto “aprendem”, o que é eficiente e o que não é…

Hoje meu foco é desenvolver estratégias de ensino de Ciências que estimulem o interesse do aluno pelo “aprender”, tornando-o motivado e protagonista em seu caminho de aprendizagem.

Acredito que o cidadão do século XXI deve não apenas dominar os recursos tecnológicos que surgem a todo instante, utilizando-os como ferramenta de produtividade, mas também o pensamento científico, que, de forma estruturada e metódica, possibilita o olhar crítico e analítico sobre os fenômenos que ocorrem ao seu redor.

O aluno letrado cientificamente e tecnologicamente deve ser capaz de enfrentar os desafios cotidianos com autonomia e desenvoltura, buscando explicações e soluções baseadas em evidências obtidas por meio do método científico.

Para tanto, as metodologias ativas que colocam o aluno como protagonista de sua aprendizagem são essenciais! Blended learning, Flipped classroom, Problem-based learning, Inquiry-based learning… É preciso dar ao aluno possibilidades de descobrir seus interesses e ir em busca do aprendizado que deseja.

Todas são estratégias que contribuem para o desenvolvimento das competências necessárias a alunos e professores. Tais competências devem ser usadas de forma racional em busca do equilíbrio na relação homem-planeta. Ao menos por enquanto, esse é o único que temos para habitar.

É um desafio interessante, que motiva o meu pensar, fazer e ser!

Por diversas e variadas razões, ao longo do meu percurso de vida fui deixando de viajar. Os afazeres e desafios cotidianos se apoderaram de meu tempo e energia.

O caipira apaixonado por natureza, que um dia explorou e ajudou outras pessoas a explorarem o mundo natural, foi se embrenhando em outros caminhos e deixando o mar, a floresta, a caverna e as montanhas para trás… Difícil imaginar que isso um dia poderia acontecer, mas a vida tem seus propósitos.

O guia de ecoturismo e estudos do meio tornou-se professor, levando para dentro da sala de aula a experiência de interpretar a natureza e dar aulas em campo. Assim passaram-se alguns anos…

Porém, no interior de minha alma ardia uma chama cada vez maior e incontrolável, chamando meu olhar novamente para o mundo fora de quatro paredes.

Imagino estar começando uma nova etapa da vida!

Pretendo voltar a viajar com regularidade, conhecendo novos locais, novas pessoas, novas experiências.

O olhar e a experiência do professor de Ciências da Natureza, que sempre buscou despertar nas crianças o interesse pelo mundo ao seu redor, voltam-se agora mais uma vez para a praia arenosa, a mata atlântica, as montanhas e cavernas que um dia motivaram a escolha da carreira em educação.

Viajando, explorando, entrando em contato novamente com os elementos e fenômenos da natureza, vou em busca de desafios e da forma de enfrentá-los, produzindo material didático, atividades e sequências de aulas que possam contribuir para a formação de indivíduos competentes e aptos a viver no século XXI.

É preciso formar alunos que saibam interagir com o mundo natural, satisfazendo suas demandas mas cuidando para que o equilíbrio planetário seja restaurado e preservado.

Espero contribuir para isso…

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